17 a 20 de Agosto | 2021
Sertãozinho - SP

Webinar com debates sobre o tema:

Como o mercado de BIOGÁS está se preparando para os desafios da nova economia?

Perguntas já respondidas pelos Debatedores:

1- Qual a expectativa de vocês na implantação de projetos de HVO (diesel renovável) no Brasil? Vocês estimam a utilização do biogás gerado nessa tecnologia? Possuem expectativa de homologação desse biogás?

Não temos expectativa de implantação de projetos de HVO no Brasil por enquanto, apenas podemos dizer nesse momento que faz parte dos nossos atuais projetos de P&D.

 

2- Quando eu ouço e vejo o assunto captação de biogás/biometano, me vem à mente os estados do Sul (Sta. Catarina, Paraná e uma parte do RGS) e uma fonte específica (suíno cultura). Sabemos que biogás não se resume a isso. O orgânico do RSU é uma fonte, que tem uma função na captação muito ligada ao saneamento, mas muitas vezes não rentável. São Paulo (o estado mais rico do país, com a melhor infraestrutura logística e do qual muitas iniciativas se propagam pelo país) tem pouco destaque nessa área. O grosso da produção rural do estado deixa literalmente seu resíduo "apodrecer no campo" e o gás se esvai para a atmosfera.

Então a pergunta:
Como conciliar essa produção deixada no campo para direcioná-la a ser dirigida para plantas de captação, catalisando ao mesmo tempo a captação do biogás do RSU? Ou seja, aproveitar o maior potencial agrícola desse biogás para ajudar a resolver um grave problema de saneamento e ao mesmo tempo ser rentável?

Nossa estratégia se baseia na combinação do aproveitamento dos resíduos agroindustriais juntamente com os RSUs de aterros sanitários. Com bom planejamento logístico e boas sinergias geográficas podemos conciliar tanto o biogás do campo quanto contribuir na resolução da grave questão do saneamento.

 

3- Boa tarde, gostaria de saber um pouco sobre a questão de política de incentivo e consciência ambiental no Brasil. O que isso afeta a viabilidade de implantação numa planta de Biometano?

Em nossos modelos de negócios, não consideramos nenhum tipo de subsidio ou política de incentivo, apesar de sermos grandes incentivadores do excelente programa Renovabio. Acreditamos que o biogás e biometano devem ser viáveis independentemente de políticas de governo.

 

4- Quais são os principais desafios desse setor? Técnicos, regulação, preço da commodity, outros? Alguma área que requer desenvolvimento de alguma tecnologia ou inovação?

Acreditamos que existem 3 grandes desafios a serem vencidos nessa jornada: (i) tecnológico – tecnologias de captação e valorização do biogás principalmente para produção de biometano ainda a serem  consolidadas; (ii) regulamentação – o setor ainda padece de clareza quanto a alguns mecanismos que poderiam acelerar seu desenvolvimento, sendo o swap de molécula estudado atualmente pela Arsesp um grande exemplo destes; (iii) competição com gás natural – dada a redução atual dos preços do gás natural, a competição do renovável se torna bastante desafiadora.

 

5- E quem apostar no projeto da Scania, e comprar os caminhões, tem que se preocupar onde vai abastecer a frota, vocês acham que isso deve se resolver em quanto tempo, falando dos postos de abastecimento?

Alguns estados como São Paulo e Rio de Janeiro já possuem em maior ou menor proporção rede de postos de GNV, portanto acreditamos que se rotas forem planejadas e estudadas não oferecerão desafio de abastecimento. Biometano por outro lado, ainda está no início da curva de produção no país, portanto, a ZEG Biogás, como maior produtora de biometano do estado de SP, está disposta a co-investir juntamente com parceiros interessados no desenvolvimento dessa infraestrutura.

 

6- Quando a indústria de cerâmica do polo de Santa Gertrudes poderá ter biogás como alternativa ao uso do gás natural?

Ainda não atuamos a região e ainda não estudamos a fundo essa indústria, portanto, ainda não temos como responder essa questão.

 

7- Existe algum trabalho sistêmico dessa linha ou estrutura como apresentado por vocês nesse evento? (no Webinar) Alguma das empresas de vocês ou entidade ou profissionais presentes nesse evento (no Webinar) tem tratado com o Estado do Espírito Santo?

Infelizmente ainda não estudamos o Espírito Santo, mas faz parte dos nossos planos de expansão.

 

8- Existe algum gargalo no PROCESSO de biodigestão? Qual é o principal desafio da produção de biogás?

Os principais desafios estão em sermos bastante competitivos em termos de CAPEX e OPEX por molécula produzida, manter nossos organismos sempre em alta performance e adequar as realidades de cada captação de resíduos para uma produção estável de biogás, como no caso das interrupções de uma usina de açúcar e etanol, por exemplo, e as paradas no fornecimento de vinhaça.

 

9- Quais empresas existem no Brasil que podem desenvolver um projeto de uma usina de tratamento e transformação do lixo urbano em biogás?

Existem boas empresas no Brasil, dedicadas a esse propósito e acreditamos que muitos têm boas tecnologias. Ao se desenvolver um projeto, além da ovia questão técnica, tem que se levar em conta a capacidade de desenvolvimento das alternativas comerciais para o biogás. A ZEG Biogás possui a expertise da vertical de toda a cadeia e se tornou a maior produtora de biometano no estado através da captação e exploração do biogás do Aterro Centro de Tratamento Leste operado pela EcoUrbis em Sapopemba, na zona leste de São Paulo Capital, um dos maiores aterros do mundo.

 

10- Boa tarde, pergunto para todos e para o Alessandro se não seria hora, para o setor biogás, de sair da aba do fotovoltaico em relação à REN 687/15 e tocar seu caminho junto com o pessoal da biomassa?

Nossa visão é que naturalmente o segmento de biogás irá trilhar cada vez mais seu caminho único, inclusive como em outros países criando uma coalizão do biometano como combustível aprovado e maduro para abastecer industrias e frotas em substituição ao Gás Natural e ao Diesel respectivamente.

Desculpem a pergunta um tanto retórica sendo eu o promotor de uma petição e de contribuições em audiências públicas da ANEEL sustentando isso (vejam o link https://www.change.org/biogas_biomassa).

 

11- Qual a tecnologia usada na produção do "gás bio" da Zeg?

A ZEG desenvolveu um modelo construtivo único e modular, capaz de elevar a produção à medida que o mercado adquira maior maturidade. Nosso processo inclui uma rigorosa seleção de fornecedores e parcerias internacionais para que possamos implementar no Brasil o desenvolvimento de toda a cadeia de produção do Biometano. Essa longa jornada de engenharia possibilitou ao GasBio da ZEG um posicionamento competitivo em relação a custos e uma melhor performance como combustível, por possuir uma elevada concentração de metano e, consequentemente, ser recomendado como o gás renovável indicado pela Scania em seus novos veículos pesados movidos a gás.

 

12- Todos sabemos que os combustíveis renováveis, são o futuro do mundo, no entanto gostaria de saber em quanto tempo vocês acreditam que possamos realmente ter uma produção sustentável para substituir os combustíveis fósseis?

Respondendo observando apenas o Brasil, do lado da matriz de energia elétrica, a produção já é com peso considerável de renovável. Em 2020, a previsão é que 47,7% sejam renováveis. A matriz elétrica brasileira é ainda mais renovável do que a energética, isso porque grande parte da energia elétrica gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas.

Capacidade instalada de geração, por combustível, Brasil, junho de 2020 (MW e %)

 

13- Além do biogás o resíduo pode ser usado como fertilizante?

Sim, sem perder suas qualidades de biofertilizante.

 

14- Como os participantes do debate veem o uso da torta de filtro como matéria-prima para a biodigestão? É viável técnico-economicamente?

Palha, torta de filtro e vinhaça são combustíveis para o biogás e cada projeto terá sua configuração própria.

 

15- Prazer, falo em nome da empresa Arous Engenharia. Sobre o tema de biomassa, alguém saberia me informar se atualmente já existe tecnologia eficiente e segura para a queima de casca de arroz?

No site da ANEEL, você encontrará a relação das usinas termelétricas que usam a casca de arroz como combustível, no Sul do país: https://www.aneel.gov.br/outorgas/geracao.

 

16- O Biogás é feito basicamente pela fermentação da vinhaça ou qual seria a matéria prima do biogás? Obrigado, Mauricio.

Palha, torta de filtro e vinhaça são combustíveis potenciais para o biogás e cada projeto terá sua configuração e opção própria pelo tipo melhor de combustível ou sua combinação.

 

17- Antes da descoberta do Pré-sal se cogitava em 50 anos o uso de combustíveis fósseis, de energias não renováveis, sabemos que a matriz energética do Petróleo tem prazo, mesmo que não imediato ela tem um tempo para finda sua utilização, pensando nesse cenário, em quanto tempo teríamos essa matriz de renováveis apta a substituir os combustíveis fósseis?

Hoje Bio e fósseis, são complementares, mas muito provavelmente em um futuro próximo teremos que pensar em substitutos viáveis e realente factíveis.

 

18- Não seria mais rentável as próprias usinas produtoras de Biogás gerar energia elétrica e vender está energia no mercado livre?

Cada projeto trará uma solução específica para aquela usina, poderá ser a geração de energia elétrica ou a produção de biometano para injeção na rede de gás canalizado, por exemplo. Importante que são todas ótimas alternativas e tudo dependerá de características próprias de cada arranjo empresarial.

 

19- Boa tarde, gostaria de saber qual é a narrativa em relação ao biogás no Brasil? E como o biogás se encaixa na realidade Brasileira? Muito obrigada.

Inovação em Gás - Research Centre for Gas Innovation – RCGI (2019), se todos os resíduos fossem aproveitados apenas nas usinas sucroenergéticas do Estado de São Paulo, o potencial de geração de eletricidade somente com biogás atingiria quase 32 mil GWh, o equivalente a 80% da geração anual da usina belo monte ou a atender por mais de 40 anos o consumo de energia elétrica de todas as residências em Ribeirão Preto, uma cidade com aproximadamente 700 mil habitantes.

Por outro lado, levantamento recente da UNICA, mostra que a geração de energia elétrica para a rede, utilizando o biogás na agroindústria, foi de apenas 18,5 GWh em 2019. O descompasso entre o potencial técnico desta fonte e sua efetiva utilização mostra um enorme hiato potencial gigantesco a ser aproveitado pela agroindústria, em especial a do sucroenergético, onde temos a maior reserva estratégica de geração de energia em termos de potencial, quer seja biogás ou biometano. Enfim, há uma avenida de oportunidades quando se fala em biogás e biometano no setor sucroenergético.

 

20- O que falta desenvolver para tornar possível a inserção de biometano nas redes de gás existentes?

Já existe a injeção de Biometano em redes de gás no Brasil. Como exemplo podemos citar o Projeto da Cegás, em Fortaleza/CE que, através da produção de Biometano proveniente de aterro sanitário, faz-se a injeção deste na rede de gás natural do município. Na área Noroeste do Estado de São Paulo, área de concessão da GasBrasiliano, encontra-se em fase de aprovações junto à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo – Arsesp, o Projeto “Cidades Sustentáveis”, que consiste no atendimento à cidade de Presidente Prudente com o biometano produzido pela usina Cocal, localizada em Narandiba, a partir de vinhaça, palha e torta de filtro (resíduos do processamento da cana-de-açúcar), além do atendimento a Pirapozinho. Trata-se de um modelo inovador para o Estado de São Paulo, com uma nova fonte de suprimento de gás natural, agora renovável, e uma nova fonte de renda ao agronegócio. Há ainda outros projetos em estudo na área de concessão.

 

21- No curto/médio prazo,  a GásBrasiliando enxerga algum projeto viável para usina híbrida (geração de energia através da queima de bagaço e gás natural oriunda do seu gasoduto)?

A GasBrasiliano tem realizado inúmeros estudos de Ciclos Híbridos em Usinas de Açúcar e Etanol nos últimos anos e entende que o Ciclo Híbrido é um grande potencial em novos projetos de geração de energia elétrica, visto a necessidade de projetos eficientes e competitivos.

 

22- Em face de toda movimentação (novo mercado de gás) para acessar e monetizar a grande oferta de gás do pré sal, terá o biometano competitividade para concorrer com esse gás? em especial para a distribuição pela rede de gás canalizado?

A expectativa da GasBrasiliano é que o custo do biometano chegue ao mercado em condições de competitividade com o gás natural e de que ele poderá inclusive trazer escala ao nosso negócio, contribuindo com a modicidade tarifária e permitindo ampliar os investimentos futuros na rede de distribuição e alavancar a economia do Noroeste Paulista. 

 

23- Há algum impedimento regulatório para disponibilizar o biometano na rede da gás natural?

Não há nenhum impedimento, desde que os projetos sejam aprovados pelo órgão regulador. No Estado de São Paulo contamos com a legislação da ARSESP (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), como a Deliberação 744 de 26/07/2017, que dispõe sobre as condições de distribuição de Biometano na rede de gás canalizado no Estado de São Paulo. 

 

24- Para a Gasbrasiliano, o biogás consegue ser competitivo com o GNL importado?

A expectativa da GasBrasiliano é que o custo do biometano chegue ao mercado em condições de competitividade com o gás natural e de que ele poderá inclusive trazer escala ao nosso negócio, contribuindo com a modicidade tarifária e permitindo ampliar os investimentos futuros na rede de distribuição e alavancar a economia do Noroeste Paulista. 

 

25- Seria interessante explorar as oportunidades de abastecimento descentralizado de biometano nos centros regionais do interior do Brasil, aumentando a rede de distribuição/gasodutos e viabilizar o nosso "Pré-sal caipira". O que podemos esperar para os próximos anos?

A GasBrasiliano entende que existe grande viabilidade na área de concessão. Para os próximos anos, espera-se um aumento dos investimentos em plantas de Biogás/Biometano, o que exigirá de nossa parte uma expansão da malha de distribuição para o escoamento eficiente do energético.