17 a 20 de Agosto | 2021
Sertãozinho - SP

Webinar com debates sobre o tema:

Como a área de PD&I pode melhorar a performance na produção de açúcar, etanol e energia?

Perguntas já respondidas pelos Debatedores:

1- Daniel Corrêa Sigolo: Mas muito dessa tecnologia é estrangeira, não?

Basicamente as tecnologias utilizadas nas biorrefinarias sucroenergética foram geradas em território nacional e são essencialmente brasileiras.

 

2- Francisco Couto: Como a Cultura de Inovação no Setor Industrial Sucroenergético (indústria 4.0, por exemplo) está sendo disseminada junto aos proprietários e sócio-diretores neste segmento?

O setor ainda está se familiarizando com a Industria 4.0.

 

3- Luiz Sergio De Carvalho: Quais os entraves para sairmos hoje de uma produtividade de 7000l/hec para 10.000l/hec?

Com correto manejo varietal.

 

4- Luciana Rodrigues Paiva: CanaOnline: - Exalta-se que é preciso aumentar a produtividade do canavial, alcançar a cana de 3 dígitos, produzir mais açúcar por tonelada. Mas e área industrial, onde pode ser mais eficiente?

Principalmente no controle da qualidade da matéria-prima e no processo fermentativo onde as eficiências ainda são aquém das outras operações no processo produtivo.

 

5- Mario Cerqueira: Fenasucro & Agrocana o bagaço da cana gera energia ok? Os resíduos dos lixões geram gás metano certo? As tecnologias são diferentes e qual é a energia mais eficiente ao meio ambiente? Mario Cerqueira.

A queima de bagaço gera alguns gases de efeito estufa, principalmente CO2 que são todos consumidos pela cultura da cana-de-açúcar nas suas fases de crescimento e maturação durante a fotossíntese, já os lixões geram outros tipos de gases muitos mais nocivos e prejudiciais que os compostos de carbono como por exemplo os nitrosos (NOx) e os sulfurosos (SOx), além do metano.

 

6- Luiz Sergio De Carvalho: Como está a evolução do 2G no país?

Este tema se estende por mais de 30 anos e sem grande perspectiva de sucesso, pois é um processo extremamente complexo e caro, por se tratar de atividades enzimáticas. As hidrólises ácidas e alcalinas são perigosas e muito prejudiciais para o meio ambiente em função dos resíduos finais, além do que se utiliza de uma matéria-prima de valor agregado (bagaço de cana-de-açúcar e palha, para produzir um produto de baixo valor agregado).

 

7- Luiz Sergio De Carvalho: Como está o uso do bagaço, vinhaça e torta de filtro na produção de biogás?

Vico: A vinhaça já está sendo utilizada para o processo de biodigestão e não é nada novo, em 1982 o grupo DEDINI em sua destilaria em São João da Boa Vista, SP, já produzia metano a partir deste efluente denominado METAX. Por motivos financeiros e de pouca tecnologia na época, não teve continuidade. Já bagaço e torta de filtro tem utilidades mais nobres e ainda não foram introduzidos nos processos de biodigestão.

Raffaella: Está bastante devagar em função de baixos investimentos frente a crise. Acredito que tão logo ocorra recuperação econômica, essa linha de biomassas e energia deverá ser uma forte tendência. Usina Cocal e Usina Iracema tem projetos instalados.

 

8- Celsus Bonfiglioli: Economicamente o etanol ainda está atrelado ao valor da gasolina, é viável essa política?

Oficialmente não, porém como a mídia prega à população, por desconhecimento e falta de informação, que o etanol só é vantajoso se estiver em 70% do valor da gasolina. Atualmente esta relação está entre 80 e 82%. A mídia se esquece de divulgar que o etanol é um produto totalmente nacional, que gera empregos, renda, alimentos e principalmente contribui sobremaneira com o meio ambiente, índices estes de difícil mensuração, mas que certamente são benéficos para toda a população.

 

9- Antonio Gallego: Qual a visão dos senhores e do setor com relação ao desenvolvimento da gaseificação de bagaço, palha ou vinhaça?

A gaseificação da palha e bagaço estão sendo estudados já há algum tempo, o principal problema que se encontra é que para uma boa eficiência deste processo, é necessário que a matéria-prima a ser utilizada, seja o máximo possível homogêneas, característica esta dificilmente encontrada nestes produtos. No caso da vinhaça o problema é a grande quantidade de água.

 

10- Amanda Varano: Em relação ao controle da contaminação na produção de etanol, atualmente, isso é realizado com o uso de antibióticos e tratamento ácido, certo? O que vocês acham sobre a substituição dessas ferramentas? Estou trabalhando com isso no meu mestrado.

Estamos estudando há algum tempo, métodos eficazes e viavelmente econômicos para a esterilização do mosto, o que resultaria em altas eficiências de fermentação e consequentemente melhor biodigestão da vinhaça. Para o tratamento ácido, já existem alternativas viáveis em escala comercial  Algum material pode ser obtidos em www.gps.ufscar.br em monografias do MTA.

 

11- Luciana Rodrigues Paiva: Raffa e Vico – O Salibe, da Udop, diz que o setor precisa produzir no mínimo 10 mil litros de etanol por hectare para ser competitivo com o petróleo a 43 dólares ao barril. Qual a opinião de vocês?

Vico: O etanol se tornaria não competitivo caso o barril de petróleo fosse comercializado a US$35.00 por um período longo de tempo, porém jamais seria derrotado se as externalidades fossem consideradas, como por exemplo o meio ambiente. Algumas unidades já superam esta cifra de 10.000l de etOH/há. Não são muitas, mas já é fato e é possível.

Raffaella: Luciana, ótima pergunta. Custos e lucratividade são variáveis bem particulares de cada unidade. Eu concordo que se a usina produzir apenas etanol, essa seria a produtividade necessária. Mas a usina tem também outros produtos onde ela pode fazer um balanço de ganhos e perdas. Ela pode produzir açúcar e energia elétrica e ter maior lucratividade no balanço dos três produtos. Logico que todas têm que buscar a competitividade, a maior lucratividade em termos de L de etanol por há.  O mercado de petróleo é muito sujeito a altas e baixas e nosso mercado de etanol deveria ser protegido para sobreviver a essas mudanças. (eu sou a favor de protecionismo, quando existem outras adicionalidades como ganhos ambientais e sociais). O etanol tem também outras adicionalidades que não são computados nessa lucratividade que o Salibe se refere, e o setor deve lutar para que sejam reconhecidas.

 

12- Bruno Seixas: Já existe alguma estimativa de custos e possibilidades de instalação de infraestrutura para produção de etanol de segunda geração para médios produtores?

Ainda não e dificilmente teremos. Nem para pequenos, nem para médios e nem para grandes produtores. Ainda temos muito a aprender com o etanol 1G, ainda existe muito campo a ser explorado.

 

13- Salvador Ferrari: Alexandre, parece que você tem a Melhoria Contínua implantada na Indústria?

Sim, temos um processo bem estruturado de melhoria contínua. Constituímos um departamento que levanta oportunidades através de interação com as áreas, estrutura implementação e efetua o acompanhamento de resultados.

Usamos como ferramenta de medição e acompanhamento de resultados o BSC.

 

14- Antônio Carlos Souza: Prof. Vico, como estreitar as relações entre UFSCAR e IFSP?

Através de convênios e parcerias entre as instituições públicos e/ou privadas.

 

15- Luiz Sergio De Carvalho: As árvores absorvem 20000tCO2/km2 a cana absorve quanto?

Vico: As arvores absorvem esta quantidade de CO2 durante a fase de crescimento e quando a floresta fica adulta, existe apenas a troca de CO2 com o O2. Já uma tonelada de cana-de-açúcar, estequiometricamente, absorve cerca de 220 kg de CO2. Como 1km2 equivale a 100ha, e considerando que é possível obter cerca de 100tc/ha, teremos 2.000t/ha ou seja 2.000.000t/km2.

Raffaella: Uma boa estimativa foi feita por Paula et al. 2010. O valor para cana de açúcar colhida sem queima é de: 66 t/há.ano em equivalente CO2.

Ciênc. agrotec. vol.34 no.3 Lavras May/June 2010

https://doi.org/10.1590/S1413-70542010000300015