A nova fronteira da bioenergia é na América Latina: um ecossistema de biossoluções para o mundo
A nova fronteira da bioenergia é na América Latina: um ecossistema de biossoluções para o mundo
O mundo está redesenhando sua matriz energética e a América Latina surge como um dos protagonistas dessa transformação. O que antes era visto como uma promessa, agora se consolida como uma oportunidade real e urgente: a bioenergia deixou de ser uma alternativa para se tornar peça-chave na corrida global pela descarbonização. Neste novo cenário, as usinas da região têm a chance de expandir seus horizontes, evoluindo de plantas produtoras de açúcar e etanol para biorrefinarias integradas e indústrias de biossoluções em larga escala.
O Brasil já pavimentou esse caminho. Com uma produção massiva de etanol de cana, uma frota flex consolidada e a crescente expansão dos biocombustíveis a partir do milho e de outros cereais, o país mostra que é possível aliar escala, tecnologia e sustentabilidade. O biogás, que vem de um resíduo industrial, ganha tração como vetor energético estratégico. Esse modelo, no entanto, não precisa ser uma exceção. Em toda a América Latina e Caribe, regiões historicamente líderes na produção de açúcar, há um terreno fértil para replicar e inovar. Com investimentos direcionados e políticas publicas as usinas podem se transformar em polos integrados de soluções ambientalmente corretas, ou seja, usinas flex capazes de transformar vários tipos de matérias-primas em subprodutos vem ganhando espaço, gerando valor de forma descentralizada e sustentável.
Eventos como a Fenasucro & Agrocana e a FenaBio refletem a pujança desse ecossistema em evolução. A expectativa de movimentar R$ 13,7 bilhões em negócios e a presença de 60 países em busca de novas tecnologias e intercambio tecnológico mostram que o mundo está de olho na capacidade produtiva e inovadora que temos aqui no Brasil.
É nesse contexto que surgem as grandes apostas para os próximos anos. O biobunker desponta como a solução sustentável para o setor naval; o SAF (combustível sustentável de aviação) promete descarbonizar os céus; e os corredores verdes de biogás conectam o interior produtivo aos portos, otimizando a logística pesada com baixa emissão de carbono. Mais à frente, o etanol de segunda geração e o hidrogênio verde, produzido a partir de celulose, apontam para um futuro onde a escala e a inovação caminham juntas. Essas frentes atendem a uma demanda global por soluções para transportes pesados, onde o etanol já provou ser escalável, viável e progressivo.
Paralelamente, o conceito de biorrefinaria integrada ganha força. O bagaço, a levedura e o DDG de milho, por exemplo, deixam de ser resíduos e se transformam em insumos para cadeias limpas de alimentos, como na alimentação de gado confinado. É a bioeconomia na prática, unindo energia, nutrição e sustentabilidade em um mesmo ciclo produtivo.
No campo, a tecnologia acelera essa travessia. A conectividade rural e o uso de satélites e sensores permitem monitorar, em tempo real, a performance das máquinas, prever falhas e minimizar perdas. Dados como “quando parou, por que parou e quanto tempo leva o reparo” se tornam ativos valiosos para a eficiência operacional e a tomada de decisão.
As perspectivas para 2026 apontam para um segundo semestre melhor. O mercado segue desafiador, mas as oportunidades se multiplicam para quem enxerga além. O biogás já é uma nova realidade na cadeia de valor. O SAF e o biobunker, por sua vez, abrem portas para investimentos externos e parcerias globais. Grandes players do setor energético já estão de olho na América Latina, acelerando uma transição que acontece mais rápido do que muitos imaginavam.
Some-se a isso o papel das políticas públicas, como o RenovaBio, que servem de referência internacional ao demonstrar, na prática, a viabilidade dos biocombustíveis integrados às cadeias de alimentos, bebidas e transporte. O futuro da bioenergia não é mais uma projeção distante. Ele já começou e tem na América Latina um de seus motores mais promissores.
Por Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana
Biografia
Paulo Montabone formado em Marketing tem extensa experiência na comercialização, planejamento, criação e implantação de feiras e eventos. Atua há 32 anos na FENASUCRO & AGROCANA, sendo que nos últimos 12 anos pela RX Brasil comanda diretamente o time que realiza a maior e única feira do mundo exclusivamente voltada à cadeia de produção bioenergética.
