Biocombustíveis são rota imediata para diminuir as emissões de carbono do setor marítimo

Biocombustíveis são rota imediata para diminuir as emissões de carbono do setor marítimo

Especialistas discutem soluções de curto e longo prazo em painel da FenaBio

A navegação marítima está entre os setores de mais difícil descarbonização, em razão das especificações e tecnologias necessárias para a adaptação dos navios. Diante das metas globais de redução das emissões de carbono até 2050, o setor busca alternativas para avançar nesse processo. O tema foi debatido no painel “Biobunkers: oportunidades para as bioenergias”, realizado durante a FenaBio, que reuniu representantes da Petrobras, Copersucar e Inpasa.

De acordo com Carlos Alberto Meirelles Marçal, diretor de Transição Energética da Petrobras, uma das soluções mais imediatas para reduzir as emissões é o uso de misturas de combustíveis fósseis com biocombustíveis, que não exigem grandes adaptações nos navios nem nos portos. Um exemplo é o B24, mistura de combustível fóssil com 24% de biodiesel que já está em comercialização e permite uma redução de cerca de 20% nas emissões de carbono. A expectativa é avançar para o B30, com 30% de biodiesel.

Como o Brasil é um grande produtor de etanol, o combustível também pode abrir oportunidades para ampliar a participação do país no abastecimento marítimo internacional. “Dentre as alternativas de combustíveis no mundo, é um dos mais baratos em comparação aos combustíveis fósseis”, destaca Henrique Araújo, diretor da Copersucar.

O setor também acompanha a regulamentação internacional em discussão na Organização Marítima Internacional, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), que deverá orientar as soluções de longo prazo para a descarbonização das frotas.

Para Marçal, é preciso entender para onde vai a regulação. “Quando eu estou falando de navio, ele sai de um porto brasileiro até um porto chinês, por exemplo. Não adianta eu pensar qual é a solução só para o Brasil, para o navio chegar na China e não ter o combustível lá. A gente acredita que o bioproduto é a solução”, concluiu Marçal.