Biogás ganha novas perspectivas de expansão no setor sucroenergético

Biogás ganha novas perspectivas de expansão no setor sucroenergético

Painel na FenaBio destaca tecnologias, infraestrutura e estratégias para converter o potencial brasileiro em projetos de biogás e biometano

O avanço do biogás no setor sucroenergético brasileiro passa por um cenário de grande potencial produtivo, mas também pela necessidade de conectar tecnologia, infraestrutura, regulação e mercado consumidor. O tema foi discutido no painel “Biogás 1: Perspectivas para expansão”, realizado nesta quinta-feira, 13 de agosto, na FenaBio, durante a Fenasucro & Agrocana 2026, em Sertãozinho (SP).

Mediado por Newton Duarte, da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), o encontro contou com Antonio Diogo Ferreira, diretor executivo da Quiminato Química Industrial e Biotecnologia; Bruno Esperança, da PlanET Biogás; Rafael Gonzalez, da Necta; e Wagner Espanhol, da Atlas Copco Brasil. Os participantes analisaram as condições necessárias para transformar a disponibilidade de biomassa e resíduos em novos projetos, com ganhos de eficiência e diferentes usos do biometano.

Na abertura, Duarte apresentou o biogás como mais uma frente de desenvolvimento de uma cadeia que já produz açúcar, etanol e bioeletricidade. Segundo o moderador, a relevância da cana-de-açúcar na matriz energética brasileira oferece uma base consolidada para novas soluções renováveis.

Entre as tecnologias apresentadas, Antonio Diogo detalhou uma solução voltada à fermentação que, segundo dados da Quiminato, pode reduzir em cerca de 90% a emissão de H2S - gás incolor altamente tóxico - nos sistemas de purificação e elevar entre 25% e 30% a produção de metano. “Isso traz uma redução de custo na operação e um aumento de produção. É uma tecnologia que veio para agregar e aumentar a viabilidade dos projetos de biometano”, afirmou.

Para Bruno Esperança, projetos de maior escala exigem que o planejamento defina desde o início o destino do gás, seja para comercialização, autoconsumo ou substituição do diesel. O custo dos empreendimentos, porém, é um dos principais entraves. “Temos um desafio enquanto setor que é dar escala para sermos mais competitivos em custos. O custo de capital das plantas é algo que atacamos diariamente e que o setor precisa trabalhar para viabilizar os projetos”, explicou.

A infraestrutura necessária para conectar produção e consumo também ganhou destaque. Rafael Gonzalez apontou a concentração de usinas no interior paulista e o potencial regional para produzir biogás e biometano. De acordo com estimativas da Necta, a área concentra mais de 100 usinas com capacidade para alcançar cerca de seis milhões de metros cúbicos. Entre as oportunidades estão a conexão dessas unidades à rede de distribuição e o uso do biometano em substituição ao diesel nas frotas pesadas.

Ao final, Antonio Diogo ressaltou a aproximação proporcionada pela FenaBio entre empresas e profissionais. “É importantíssimo os setores conversarem e se alinharem para viabilizar os novos projetos”, concluiu.