Biometano transforma resíduos em ativos e pode atrair R$ 320 bilhões em investimentos
Biometano transforma resíduos em ativos e pode atrair R$ 320 bilhões em investimentos
Painel da FenaBio aponta o papel do setor sucroenergético na descarbonização e na substituição de combustíveis fósseis
A transformação de resíduos em energia, a redução do consumo de combustíveis fósseis e a geração de novas receitas estiveram em pauta no painel “Biogás 2: impulsionando a transição energética”. A discussão ocorreu nesta quinta-feira, 13 de agosto, na FenaBio, durante a Fenasucro & Agrocana 2026, em Sertãozinho (SP).
Mediado por Yuri Schmitke, da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), o encontro contou com Erik Trench Alcântara Santos, da Ultragaz; Sergio Cruz, da Paques Brasil; Hernan Zwaal, da Galileo Technologies; e Lytton Medrado, da Bazico Tecnologia. Os participantes analisaram o potencial brasileiro para produzir biogás e biometano e a importância de reunir investimentos, tecnologia, políticas públicas e demanda.
Segundo Schmitke, o país tem potencial estimado para produzir 84 bilhões de metros cúbicos de biogás e 44 bilhões de metros cúbicos de biometano, embora o volume atual ainda corresponda a uma parcela dessa capacidade. Aproximadamente metade do potencial do biometano está associada à cadeia sucroenergética. “A gente pode produzir o biogás a partir de vários substratos, mas entende que o setor sucroenergético deve ter quase 50% do potencial, que representa um potencial de investimentos de R$ 320 bilhões nos próximos anos”, afirmou.
Para Erik Trench Alcântara Santos, o biometano pode assumir uma posição estratégica na descarbonização brasileira por combinar disponibilidade de matéria-prima e diferentes possibilidades de consumo. “Hoje, o biometano tem um potencial de descarbonização enorme frente aos energéticos que substitui”, destacou.
Hernan Zwaal ressaltou que as soluções de biogás e biometano permitem converter materiais antes tratados como passivos em fontes de receita para as usinas. “A gente procura desenvolver soluções para que esse resíduo, que hoje é um passivo ambiental para o produtor, possa se tornar um ativo financeiro”, explicou.
Zwaal também apontou oportunidades para substituir o diesel pelo biometano, com impactos nos custos e nas emissões das operações. Além dos resíduos da produção sucroenergética, o combustível pode ser obtido a partir de resíduos sólidos urbanos, aterros sanitários e outras cadeias agroindustriais. “Esse setor já não é mais uma promessa, é uma realidade. A gente precisa trabalhar as políticas públicas, fomentar o investimento e continuar demonstrando atratividade”, resumiu.
