Cana e milho são aliados no aumento da produtividade do etanol brasileiro
Integração dos insumos gera ganhos de produtividade, empregos e novas oportunidades para o setor; temática foi debatida no primeiro dia da FenaBio
A integração entre cana e milho na produção de etanol pode aumentar tanto a resiliência do setor sucroalcooleiro quanto a produtividade. Esse foi o tema central do primeiro painel da FenaBio, conferência dedicada à bioenergia realizada dentro da 32ª edição da Fenasucro & Agrocana. O encontro, nesta quarta-feira (12), reuniu especialistas em biotecnologia para debater os benefícios da complementaridade entre os dois insumos.
Contrariando o senso comum de que cana e milho são concorrentes, os especialistas apontaram que a integração gera vantagens para produtores e trabalhadores. Enquanto o processamento da cana se concentra em cerca de sete meses do ano, o milho permite manter a operação ao longo de todo o ano, trazendo maior estabilidade para a produção e para os empregos.
“Em uma usina flex não precisa estocar cana nem desempregar as pessoas, a produção fica estabilizada”, explica Luiz Augusto Cortez, pesquisador da Unicamp e responsável pelo CCD Etanol, centro voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias para a produção sustentável de etanol de cana e milho.
Segundo os especialistas, a integração também pode trazer ganhos ambientais. O farelo de milho pode ser utilizado na alimentação de bovinos, reduzindo a necessidade de áreas de pastagem e, consequentemente, contribuindo para frear o desmatamento.
Novos mercados para o etanol
Entre os desafios do setor no cenário atual está o aumento da oferta de etanol. Para Amaury Pekelman, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), esse volume poderá ser absorvido por demandas emergentes, como o SAF (Combustível Sustentável para Aviação) e o bio bunker.
José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana, acrescentou que, se há um rival a ser combatido, é a desinformação técnica sobre o uso do etanol nos veículos, como a crença de que o rendimento do biocombustível é inferior ao da gasolina.
“A cada 10 carros flex que abastecem, somente três usam etanol hidratado. Isso não faz sentido em um país com esse volume de oferta e com o preço que a gente tem”, conclui Nogueira.
