Descarbonização marítima cria novas oportunidades para o etanol brasileiro

Descarbonização marítima cria novas oportunidades para o etanol brasileiro

Especialistas destacaram o biocombustível como alternativa sustentável para substituir combustíveis fósseis em navios durante painel na Fenasucro & Agrocana

O etanol brasileiro vive um momento de expansão e novas oportunidades no cenário mundial de descarbonização. Além do aumento do consumo interno, impulsionado pela competitividade do combustível nas bombas, novas aplicações podem ampliar a demanda pelo biocombustível nos próximos anos. Entre elas está o uso do etanol na navegação marítima. 

 

Segundo Plínio Nastari, CEO da Datagro, o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse mercado por sua experiência e escala de produção. “Estamos vivendo um momento de crescimento e novas oportunidades de mercado. Talvez a mais promissora, a curto prazo, seja a utilização de etanol para a navegação marítima. Já começaram os testes e eles foram muito bem-sucedidos, agora a expectativa é da velocidade de implementação”, afirma. 

 

A produção mundial de etanol é hoje de cerca de 100 milhões de toneladas. A navegação marítima representa um mercado potencial de 225 milhões de toneladas. Para Nastari, essa perspectiva reforça a necessidade de ampliar a oferta de etanol certificado no Brasil. 

 

O tema também está em discussão na Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela regulamentação global de segurança e prevenção da poluição no transporte marítimo. Com o avanço das metas de descarbonização para o setor, o etanol e outros biocombustíveis sustentáveis aparecem entre as alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis. 

 

 

 

Transporte do campo ao mar 

A Copersucar já investe no uso de biocombustíveis no transporte rodoviário de açúcar das usinas até o Porto de Santos. Atualmente, 74 caminhões movidos a biometano são utilizados no escoamento da produção, respondendo pelo transporte de 16% do volume das 42 usinas associadas. 

 

Segundo a empresa, os veículos têm autonomia semelhante à dos modelos movidos a diesel, de cerca de 600 quilômetros, mas permitem uma redução de aproximadamente 90% nas emissões de carbono. Para Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar, a estratégia é avançar na descarbonização de diferentes etapas da logística, combinando o uso do biometano no transporte rodoviário com o etanol na navegação marítima. 

 

Durante o painel, a Copersucar também apresentou publicamente, pela primeira vez, um teste realizado com um navio cargueiro vindo da Europa e atracado no Porto de Santos. Para a operação, uma barcaça de abastecimento foi adaptada para o fornecimento do biocombustível. 

 

“É a materialização de um trabalho que estamos fazendo há dois anos. Este experimento serviu para testarmos se o navio produzido para usar e-metanol é apto para usar etanol. Descobrimos que o etanol é até mais eficiente do ponto de vista energético, e com um custo muito menor”, explica Araújo.