Geopolítica abre oportunidades para a bioenergia brasileira no mercado global
Painel da FenaBio analisa impactos dos conflitos internacionais e aponta segurança energética, novos mercados e políticas públicas como caminhos para o Brasil
Os conflitos internacionais e a reorganização das relações entre as principais potências econômicas ampliam os desafios relacionados à segurança energética mundial, mas também abrem oportunidades para a bioenergia brasileira. O tema foi discutido nesta quarta-feira (12), no painel “Geopolítica, conflitos e consequências para as bioenergias”, realizado durante a FenaBio, conferência da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP).
Moderado por Eduardo Brito Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, o painel reuniu Marcos Fava Neves, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP; Caio Carvalho, diretor da Canaplan Consultoria; José Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultoria; e Lucas Rodrigues, especialista em Economia e Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).
Para Lucas Rodrigues, o cenário geopolítico amplia as oportunidades para o Brasil no mercado internacional de energia renovável. “O xadrez geopolítico abriu uma oportunidade para a bioenergia brasileira, que ganhou espaço por se apresentar como uma alternativa viável para a transição energética. Nosso país tem maturidade tecnológica e potencial para se consolidar como fornecedor confiável de biocombustíveis, com volume e constância, em segmentos como o marítimo e o de aviação”, afirma.
Marcos Fava Neves apontou o investimento em fontes renováveis como uma estratégia para reduzir a dependência externa do país. “O empoderamento bioenergético do Brasil passa pelo avanço do etanol, biodiesel, biogás e biometano. Quanto menos dependermos do mercado internacional, melhor”, afirmou.
Ao longo do debate, Caio Carvalho defendeu a adoção de políticas de Estado para a bioenergia e uma maior articulação entre os setores público e privado. José Pimenta, por sua vez, destacou a necessidade de o Brasil estabelecer prioridades comerciais, diversificar parceiros e evitar novas dependências.
Por fim, Eduardo Brito Bastos encerrou a discussão ressaltando o potencial do país para atender à demanda global por biocombustíveis com volume, regularidade e segurança.
