Brasil tem potencial para se tornar a Arábia Saudita do combustível sustentável de aviação
Painel na Fenasucro & Agrocana 2026 debateu o potencial brasileiro para liderar o mercado de SAF, com diferentes biomassas, rotas tecnológicas e impactos socioambientais
Com disponibilidade de biomassa, experiência consolidada em biocombustíveis e diferentes rotas tecnológicas, o Brasil reúne condições para assumir a liderança mundial na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). O potencial do país e os desafios para transformar essa capacidade em novos projetos estiveram no centro do painel “SAF: Viabilizando o potencial de liderança do Brasil”, realizado nesta quarta-feira (12), durante o primeiro dia da FenaBio.
O debate foi moderado por Laís Forti Thomaz, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, e reuniu Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil e presidente do Conselho de Administração da Helibras; José Magalhães Fernandes, presidente e CEO Latam da Honeywell Technologies; Giovana Baccarin, gerente de P&D e diretora de Novos Negócios da Cocal; e Maíra Peruzzo, gerente de Relações Institucionais da Acelen Renováveis.
Um dos números apresentados durante o painel ajudou a dimensionar a oportunidade para o país. Peralta citou um estudo desenvolvido no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que apontou o Brasil como potencial maior produtor de SAF do mundo. Segundo ele, a capacidade estimada pode chegar a 70 bilhões de litros, enquanto o consumo brasileiro de querosene de aviação está na faixa de 8 bilhões de litros.
“O Brasil pode produzir quase dez vezes mais do que aquilo que a gente consome. É um potencial muito grande. Não é à toa que se fala que o Brasil pode ser a Arábia Saudita do SAF e o maior produtor mundial”, afirmou.
Pluralidade para o SAF
A diversidade de matérias-primas disponíveis foi uma das vantagens brasileiras destacadas durante o encontro. Para Fernandes, não haverá uma única tecnologia responsável pelo desenvolvimento desse mercado. Diferentes soluções deverão coexistir de acordo com fatores como disponibilidade de biomassa, localização e viabilidade dos projetos.
“Não existe bala de prata nesse setor. Vai ser uma composição de várias tecnologias, com clientes diferentes utilizando rotas diferentes. O Brasil tem toda a biomassa necessária para fazer qualquer uma dessas rotas”, destacou.
Nas usinas, essa diversidade também abre espaço para novos negócios além da produção tradicional de açúcar e etanol. Giovana Baccarin destacou que o setor sucroenergético já conta com uma base formada por biogás, biometano e eletricidade, capaz de contribuir para o desenvolvimento de outros combustíveis.
“A partir dessa bioenergia de base, a gente pode produzir outros biocombustíveis e outros hidrocarbonetos. Às vezes focamos em cana, mas existem outras oportunidades que podemos aproveitar, e o SAF é uma delas”, explicou.
