PIB do agronegócio cresce mais de 12% em 2025 e reforça peso do setor na economia

PIB do agronegócio cresce mais de 12% em 2025 e reforça peso do setor na economia

Avanço foi impulsionado por produção maior e preços elevados, mas especialistas alertam para desaceleração

O Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro registrou crescimento de 12,2% em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento da produção no campo e pelo desempenho dos serviços ligados ao setor, afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ainda segundo as entidades, o valor total chegou a cerca de R$3,2 trilhões, ampliando a participação do agro na economia nacional para mais de 25%.

O crescimento foi resultado do avanço tanto da agricultura quanto da pecuária, com destaque para o aumento da produção e a valorização dos produtos ao longo do ano. No campo, culturas como milho e café tiveram bom desempenho, enquanto a pecuária também se beneficiou de preços mais altos e maior volume produzido. Esse cenário contribuiu para a expansão do segmento primário, que registrou alta de 17,06%.

Outras áreas da cadeia também apresentaram resultados positivos. Os agrosserviços, como transporte, armazenagem e comércio, cresceram 13,76%, acompanhando o ritmo da produção, enquanto o setor de insumos avançou 5,37% com apoio de produtos voltados à agricultura, como fertilizantes e máquinas. Já a agroindústria teve desempenho desigual, com queda de 3,33% em atividades ligadas ao campo e avanço expressivo de 36,45% na área pecuária.

Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, houve uma desaceleração no último trimestre de 2025, com recuo do PIB do setor em todos os segmentos. Na comparação entre o terceiro e o quarto trimestre, a retração foi de 1,11%, com quedas registradas nos insumos, no segmento primário, nas agroindústrias e também nos agrosserviços, indicando uma perda de ritmo no crescimento ao longo do período. A CNA explica que o movimento reflete uma redução de força na valorização dos preços, que haviam impulsionado o crescimento nos períodos anteriores.

Para o consultor em agronegócio José Carlos de Lima Júnior, o resultado deve ser analisado com cautela, já que está ligado a um movimento de recuperação. “Para começar, é importante saber que 12,2% foi um salto cíclico, não um ‘novo nível estrutural’ do agronegócio brasileiro”, afirma.

Segundo ele, o desempenho de 2025 foi favorecido por um cenário mais positivo em relação ao ano anterior, marcado por condições climáticas adversas. A combinação de clima mais favorável, demanda externa e fatores cambiais contribuiu para o avanço da produção e dos preços.

Ainda assim, a expectativa é de um ritmo mais moderado nos próximos períodos. De acordo com o consultor, fatores como o aumento do custo de produção, crédito mais restrito e oscilações no mercado externo devem limitar o crescimento do setor, mesmo que a produção continue em bons níveis. “No entanto, para esse 2026, tenderemos a ter uma desaceleração nominal do agronegócio, mesmo com boa performance em volume”, conclui de Lima Júnior. Ou seja, mesmo que o campo continue produzindo bem, o valor gerado pelo setor pode crescer menos, influenciado por preços mais baixos e custos mais elevados ao longo da cadeia produtiva.

Matéria por: Luana da Fonte * Supervisionado por Patrícia Neves / Site oficial da TV Globo