Sustentabilidade gera economia e expande oportunidades para produtores de cana
Sustentabilidade gera economia e expande oportunidades para produtores de cana
Painel da Canaoeste destaca biofábrica que já tratou 150 mil hectares, com redução de R$ 2,2 milhões nos custos, e iniciativa ligada ao mercado voluntário de carbono
A Fenasucro & Agrocana reuniu, nesta terça-feira, 11 de agosto, especialistas no painel “Produtos Biológicos e Carbono – Controle de custos na produção de CANA Sustentabilidade Canaoeste Green”, em Sertãozinho (SP). O encontro mostrou como práticas sustentáveis podem gerar resultados econômicos para o produtor rural, por meio do uso de produtos biológicos, da preservação da vegetação nativa, da redução das emissões de carbono e da eficiência produtiva.
Participaram do debate três profissionais da Canaoeste: Fábio Soldera, engenheiro agrônomo e especialista em Engenharia Ambiental; Almir Torcato, especialista em Agroenergia e Gestão Estratégica do Agronegócio; e André Volpe, engenheiro agrônomo com MBA em Agroenergia. Eles compartilharam experiências e resultados obtidos por produtores rurais brasileiros a partir da adoção dessas práticas.
Entre as experiências apresentadas está a Canaoeste Bio, biofábrica voltada à produção de produtos biológicos para os associados da entidade. Desde o início da operação, os tratamentos já alcançaram 150 mil hectares e proporcionaram economia de R$ 2,2 milhões aos produtores, segundo André Volpe. Ele explicou que, por atuar como associação sem fins lucrativos, a Canaoeste disponibiliza os produtos biológicos aos associados a preço de custo. Atualmente, a biofábrica possui três produtos no portfólio e, para a safra 2025/2026, trabalha com 120 mil hectares de cana atendidos, considerando áreas de plantio e tratamento de soqueiras.
Lançada na Fenasucro & Agrocana há três anos, a Canaoeste Bio retornou nesta edição para apresentar os resultados alcançados e as próximas etapas do projeto.
Entre elas está a duplicação da capacidade produtiva da biofábrica, o que permitirá ampliar o portfólio.
União na redução de custos e sustentabilidade
Para Almir Torcato, a maior oferta de produtos biológicos favorece a adoção dessas soluções e contribui para a perenidade da atividade agrícola. “São dois pontos positivos: um é o custo mais baixo e o outro, a sustentabilidade. Com acesso e preço competitivo, acreditamos que o uso desses produtos avançará ainda mais nos próximos anos”, explica Torcato.
O palestrante também destacou a relação entre campo e indústria e a importância de levar a discussão agrícola para dentro da Fenasucro & Agrocana 2026. Segundo Torcato, o desempenho industrial está relacionado à capacidade do campo de fornecer matéria-prima em quantidade e qualidade. “Precisamos trabalhar com estratégia e tecnologia para produzir uma boa cana, ter matéria-prima suficiente, de qualidade e com o menor impacto de carbono possível”, ressaltou.
Preservação gerando retorno ao produtor
Em outra frente, Fábio Soldera apresentou o Canaoeste Green, programa que associa a preservação da vegetação nativa à compensação de emissões e à geração de benefícios aos produtores rurais. “A ideia é fortalecer a cadeia e mostrar a importância da preservação da vegetação nativa nas propriedades. Precisamos acreditar que uma propriedade altamente sustentável também pode trazer retorno”, defendeu.
Segundo Soldera, o Canaoeste Green atua no mercado voluntário de carbono e pretende ampliar progressivamente a participação das empresas. “O crédito de carbono é um tema altamente relevante no Brasil. Esse é um trabalho dentro do mercado voluntário que
estamos implementando na feira e a expectativa é que cada vez mais empresas façam parte, trazendo benefícios para elas, para o meio ambiente e também para os produtores rurais”, completou.
